quinta-feira, 8 de abril de 2010

Quinta -feira

Nesta Quinta-feira, começarei a fazer parte do mesmo time que os consumidores de maconha, cocaína, heroína, crack, ecstasy e LSD. Sim, nesta Quinta-feira decidi sou uma adicta. Uma usuária de drogas. Mais precisamente a remédios para emagrecer, droga lícita vendida nas farmácias com retenção de receita médica, com preço variando entre R$ 45 e R$ 100. Estas drogas dão poder, um poder incomensurável, uma força que eu jamais imaginei ter: a força de agüentar o horário das 17h às 19h sem comer um sanduíche, um salgado ou besteira qualquer. Sim, é o remédio para emagrecer que treina você para ser faquir. Dá a quem toma poderes incríveis, que eu jamais imaginei. Calma. Posso ser presa por apologia às drogas.
Quem, afinal, não gostaria de ter o poder de enganar de verdade o estômago, de maneira a impedir que ele seja ferroado pela fome nos horários-chave? Quem não quer ter o poder do faquir, controlar os próprios estímulos nervosos da parede estomacal? Entre isso e voar, muita gente, aposto, escolheria tomar remédios. Até porque deve ser difícil voar com barriga ou acima do peso.
 Pô, remédio também não faz milagre. Pão francês quentinho, não há ser humano que agüente.

O problema é que obviamente não se pode tomar Remedios para emagrecer pelo resto da vida. Não é como cachaça ou cerveja. Hehehe. Tou brincando. Mas, enfim, uma hora vou ter que parar. A barriga vai dar uma diminuída, vou recuperar minhas sete calças perdidas, vou festejar mais uma vitória parcial sobre a balança – e festejar no melhor estilo claro. E aí? Há vida depois dos remedios de emagrecer?
Procurei a resposta em comunidades do Orkut, mas, sinceramente, ou procurei mal ou simplesmente não havia o debate sobre a vida pós-emagrecedores. Talvez precisemos de um médium para falar sobre o assunto.

Eu sei que a resposta para tudo isso é “força de vontade”, esse sentimento que os imortais cultuam...Minha força de vontade tem muito mais a ver com meu bolso do que com meu estômago. E creio que a coisa é mais ampla.

Se o governo taxasse a pizza a 150% (sinceramente? Deveria) de impostos e a fatia da calabresa subisse para uns R$ 50, sim, acho que eu pararia com a pizza. Ou me atiraria em dívidas. “Meu bem, recebi hoje, vamos até a Tutto Bonno abrir um crediário?” ou “Garçom, me vê uma quatro queijos em 10 vezes sem juros” seriam frases constantes do meu anedotário. E eu estaria sozinha? Não! Afinal, vivemos em um país no qual a comida está fazendo mal. A quantidade de gente obesa e acima do peso é cavalar. Ou melhor, elefantar. O que diabos está acontecendo com a comida? Será que a solução será taxar muzzarelas, frituras, salsichas, pães, refrigerantes e chocolates a um preço assustador?
A força de vontade é algo que precisa de ajuda. Principalmente em se tratando de estômago, este ser que comprime algo em nós com um ferrão, beliscando e exigindo “Pão! Pão! Pão!” durante nossa curta caminhada até a cozinha.
Não sei o que farei depois que acabar meu tratamento . Espero estar uns 15 quilos mais leve, claro. Mas precisarei reajustar rotinas. É claro que eu não como em quantidades para ter engordado tanto, mas devo ter um tipo de síndrome metabólica que faz o cidadão inchar. Algo que começa com o engorduramento do fígado.

No fim, com várias calças no armário prontas para usar, restará eu e minha força de vontade. Sozinhos, os dois. Como numa ilha. Eu vou começar a conversa, e minha força de vontade vai responder, porque ela cuida muito de mim. E me ama, eu sei.
Eu: - Hum, acho que um cachorro-quente cairia bem.Força de vontade: - Mariah, você acabou de perder quinze quilos. Larga disso, menina.
Eu: - Cara, mas imagina só: pão francês quentinho, salsicha , catchup , mostarda, maionese....
Força de vontade: - Larga disso, larga disso....o pior mesmo é o pão francês quentinho.
Eu: - Pior, por quê?
Força de vontade: - Ah, você sabe...
Eu, sorrindo e gesticulando com as mãos: - Umas batatinhas palha...
Força de vontade: - Carboidrato com proteína engorda tanto....
Eu, quase me afogando em saliva e com os olhos em chamas: - Com uma tirinha de bacon em volta da salsicha...
Força de vontade: - Você está abusando.
Eu, à beira do colapso: - E uma colherada de maionese Hellman’s para arrematar. Ah, e mostarda escura.
Força de vontade: - PQP. Mostarda escura. O.K., corta a maionese e o bacon, manda para dentro que a vida é curta.
Eu: - Fechado , a cerveja já esta geladinha!!!...rsssss

bom galerinha é só um desabafo...rsssss



Até
Mariah

Texto de : Gustavo de Almeida
Adaptação : Dirce Souza


Mariah

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